Elliot e Fibonacci – Coerência ou Mistificação?

Elliot e Fibonacci – Coerência ou mistificação?

É fácil notar que há muito interesse pela análise técnica usando Elliot e Fibonacci, em muitos fóruns de inúmeros mercados, essas ferramentas provocam o fascínio pela suposta descoberta subjacente de padrões nos mercados. Mas estarão elas amparadas em algum fundamento?

A justificativa para essa técnica é, na melhor das hipóteses, confusa. Enquanto houver alguma justificativa, ela provavelmente terá raízes na psicologia, decorrendo, talvez, em arte, da ideia keynesiana de prever convencionalmente a resposta convencional ou, quem sabe, de algumas interações sistêmicas ainda indefinidas. O jargão matemático dessa análise dificilmente mantém-se coeso como teoria coerente.

Uma das manifestações menos plausíveis são as ondas de Elliot e suas derivadas, como estudos do tipo Fibonacci e todo seu arsenal de arcos, linhas, retrações e ângulos.

Ralph Nelson Elliot tornou-se famoso por acreditar que o mercado movia-se em ondas, com base nas quais os investidores podiam prever o comportamento do mercado. Esboçando sua teoria enquanto estava internado em um sanatório para tuberculosos em 1939, Elliot a publicou um ano depois, chamada de “Lei da Natureza – O segredo do universo” onde sustentava que os preços se movimentam em ciclos, em função dos números de Fibonacci (1, 2, 3, 5, 8, 13…), que geram as famosas relações 23,6%, 38,2%, 50% e assim por diante.

Na situação mais comum desta teoria, o mercado sobe em cinco ondas distintas e cai em três ondas diferenciadas, por motivos obscuros, de natureza psicológica ou sistêmica. Elliot também achava que esses padrões existem em muitos níveis e que qualquer onda ou ciclo é parte de outra onda e ciclo maior e contém, por sua vez, ondas e ciclos menores, aqui cabe uma observação bem pertinente, dar o crédito à Elliot devido essa idéia de pequenas ondas dentro de outras maiores, com a mesma estrutura, parece ter sido um presságio matemático da noção mais sofisticada de fractais, desenvolvido por Benoit Madelbrot, mas nada passa, além disso, não se pode falar em teoria do caos ou complexidade, pois não há qualquer suporte matemático além de uma mera coincidência.

O problema surge quando os investidores tentam identificar o ponto da onda em que se encontram no momento. Também precisam definir se o ciclo maior ou menor, do qual a onda sempre parte, não estaria sobrepujando temporariamente o sinal de compra ou de venda. Para salvar a situação, introduziram-se complicadores na teoria – tantos, na verdade, que ela logo se tornou irrefutável.

Esse encadeamento de pensamentos me leva logo para uma antiga, mas interessante ideia que tive no passado enquanto ainda caminhava pelos corredores da faculdade: “A Conjectura da Irrefutabilidade”, onde postulo que há afirmações impossíveis de serem averiguadas empiricamente e, portanto, não podemos determinar sua veracidade, como, por exemplo, supor a existência de outras dimensões indetermináveis. Na melhor das hipóteses, as afirmações são falsas.

A impossibilidade de refutação lembram bizarras teorias, como a do biorritmo e muitas outras pseudo ciências, também evoca o antigo sistema de Ptolomeu para descrever o movimento dos planetas, um algoritmo confuso chamado de Epiciclos e Deferentes, no qual foi necessário introduzir cada vez mais correções e exceções casuísticas apenas para compatibilizá-lo com as novas descobertas nas observações. Como muitos outros esquemas semelhantes, a teoria das ondas de Elliot e os números de Fibonacci desabam sob o peso de uma questão simples: por que cargas d´água alguém esperaria que elas funcionassem?

Para alguns, evidentemente, a força da teoria reside no misticismo matemático associado à estranha relação dos números de Fibonacci, essa sensação um tanto esotérica tem origem na escola de Pitágoras na antiga Grécia, a “Fraternidade Pitagórica”, onde o mestre e seus discípulos acreditavam que todas as engrenagens universais se escondiam em simples relações numéricas.

Exemplos naturais de séries de Fibonacci são as espirais nas pinhas e nos abacaxis; a quantidade de folhas, pétalas e talos das plantas; nas sementes dos girassóis e conformem insistem os entusiastas de Elliot e Fibonacci, as ondas, ciclos e retrações nos preços do mercado.

É sempre agradável alinhar as atividades corriqueiras do mercado com a pureza etérea da matemática, mesmo que para isso se tenha que recorrer a uma espécie subjacente de astrologia sofisticada, sem fundamentos, obviamente.

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